Já nos ensaios de sábado, ela saía esbanjando sua cultura de bailarina. "Giselle é lindo, mamãe! É a história de uma camponesa que se apaixona por um príncipe". Gosto disso: constatar que ballet para ela é mais que uma atividade física. Nada de espírito blasé cult esnobe, mas é bom ver que os caminhos que tento abrir para que meus filhotes enxerguem como o mundo é melhor se for amplo, viram trilhas suaves e divertidas para eles.
Enfim, voltando ao dia do espetáculo, lá fui eu para a plateia. Assisti Giselle com "as bailarinas grandes" e nem achei tão lindo assim. Queria mesmo era pagar de mãe coruja e ver a Megolina de Dorothy.
E lá veio ela, no comecinho do segundo ato, momento em que Giselle saiu de cena e abriu espaço para os clássicos do cinema. Cheia de si, risinho no olhar, pé na pontinha e mão na cinturinha. Se faltou-lhe a delicadeza comum às bailarinas ao ordenar que a amiga fosse um pouco mais para a frente, sobrou-lhe atitude ao dançar solta e leve, feliz por estar no palco.
E assim foi no segundo dia de apresentação também. Ela lá, leve e solta, dançando a felicidade de seus quatro anos em movimentos desordenados, mas cheios de graça.
Leva jeito essa minha menina que quer ser bailarina.
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